Levei muitos e muitos anos para me decidir a fazer esta página, chegando, por vezes, a convencer-me que jamais a faria. No entanto, alguém me fez esta observação. "Mas se a senhora foi uma das três primeiras criadoras em Portugal, a ter um afixo registado, qual a razão para não ter site na Internet?". E tal comentário "ficou-me a remoer" e, fez-me pensar muitas vezes na acuidade de tal pergunta. Assim sendo, aqui vai o site, e "vou começar pelo princípio", por aquilo que considero primordial - os Agradecimentos.

Agradecer a quem tanto me ajudou, já que em 1984, quando adquiri as minhas gatas, a AMOK, a FURY, a CHEETAH e a BLUE-BELL, nem Clube de Felinicultura existia ainda em Portugal. E essa ajuda veio de Inglaterra, que, por muitas e diversas razões marcou a minha vida. Elas eram as minhas gatas, apesar de as ter oferecido à minha mãe.

Após a morte de meu pai, ela foi viver connosco para o Restelo, mas como trabalhávamos todo o dia, adquiri-as a pensar na solidão que minha mãe iria sentir.

Sempre gostei de gatos e já em 1980 um amigo meu, inglês, me oferecera o livro "A standard guide for cat breeders". Mal eu sonhava, então, quantas vezes o iria consultar no futuro. A ti, meu amigo, to agradeço. Foste tu, afinal, a primeira ajuda, no que seria, no futuro, a difícil tarefa de ter e criar gatinhos.

E quando ofereci a Amok à minha mãe, JAMAIS pensando em ter gatinhos, não imaginava que "aliada" eu acabara de encontrar. Durante 10 anos ela foi a alma de tudo. Ela foi insuperável. Escrever sobre esse período e a sua preciosa ajuda daria um livro. E não estou a exagerar. Há factos que ficarão entre nós, mas, que ainda hoje me ajudam a resolver algumas situações que surgem, quando menos se espera. Foi brilhante, uma grande mãe que me facilitou a tarefa e que ainda hoje me “acompanha” quando trato dos meus gatinhos. Sem ela "tudo se tornou muito vazio", mas eu vou para frente, mesmo sozinha, minha mãe.

Criar gatos é, realmente, algo de impensável, sem a ajuda permanente de um bom veterinário, no meu caso, mais do que um veterinário, um bom amigo. Eles sabem que os médicos ingleses que me salvaram, fazem questão em que eu não pare totalmente de ter ninhadas. Enquanto me dedico aos meus gatinhos, não penso nos meus problemas de saúde.

Um agradecimento, assim "grande como o mundo" é para o meu querido veterinário, Senhor Doutor Vieira Lopes. Aprendi muito com ele e ainda hoje uso as duas pinças hemostáticas e a tesoura de cortar unhas que me ofereceu - são "o meu talismã"

Era uma altura péssima para mim, já que por motivos de saúde tinha de ir a Londres todos os três meses. E aquando de uma deslocação, que me obrigaria a passar lá muito tempo, o Senhor Dr. Vieira Lopes disse-me textualmente: "A Senhora vá descansada, trate-se e não se preocupe com as suas gatas. Se houver algum problema, de dia ou de noite, o seu marido ou a sua mãe que não hesite em me telefonar, pois eu irei imediatamente a sua casa". E, realmente, não sei como poderia ter feito tantas deslocações a Londres, precisando eu de uma total tranquilidade, sem a ajuda do Senhor Vieira Lopes. OBRIGADA, Senhor Doutor, um "obrigada" do fundo do meu coração.

Agradeço ainda ao Senhor Doutor Luiz Chambel, que tão bem soube cuidar dos meus gatos, relembrando o carinho que dedicava aos "pequerrichinhos" Dolce Vita. Nos momentos difíceis, por exemplo, quando levei a minha CHEETAH, tão longe de imaginar que ela já não viria comigo, o Senhor Doutor foi de uma ternura e compreensão que jamais esquecerei. Ele sabia que matar aquela gata, também por muitas e variadas razões era uma punhalada. Pedi-lhe que a metesse na transportadora, pois já não queria tocar mais nela, e depois conversamos muito.

Depois, muito depois, sem lhe dizer nada, nem qual tinha sido a minha decisão, dirigi-me para a porta, sem olhar sequer para trás, para que ele não me visse banhada em lágrimas e eu não visse a transportadora onde deixara a minha CHEETAH. O Senhor Doutor passou a mão pelos meus cabelos e disse apenas: "Senhora D. Maria Fernanda, guie com cautela".

É assim, o Senhor Dr.Chambel. Profundo, terno e muito, mas mesmo muito humano. A ele devo ainda uma grande descoberta. Já há muito tempo que eu falava em vir para o Norte, mas sempre havia algo que me apavorava. E depois, o veterinário? O Senhor Doutor sabia bem dessa minha preocupação. Um dia, ao entrar no seu gabinete, vi-lhe aquele ar jovial, acolhedor, amigo, mas havia ali alguma coisa de diferente, de estranho. "Senhora D. Maria Fernanda descobri o veterinário ideal para si, é o Senhor Doutor Carlos Duarte Carneiro de Sousa". O tal ar estranho tinha a ver com a alegria da sua descoberta.

Acertou, O Senhor Doutor Carlos Duarte, como lhe chamo, é um belíssimo e competente veterinário e como o Dr. Chambel previa, temos um entendimento perfeito. Estou felicíssima por o ter como veterinário e aos meus gatinhos também saiu a sorte grande. Sempre lhe demonstrei quanto o apreciava, mas em tom de desafio dizia-lhe:" Só quando o vir fazer uma cesariana é que posso dizer se o Senhor Doutor é mesmo 100% BOM. E cá para nós eu pensava nas cesarianas que vira o Senhor Doutor Vieira Lopes fazer às minhas gatas. Era um espectáculo!

Infelizmente passadas umas semanas tive a primeira e até agora, em cinco anos, a única cesariana. Não se podem comparar duas realidades diferentes. A tecnologia actual não tem nada a ver com o que se passava nos anos oitenta. Foi uma cesariana "LINDA". Gostei muito de o ver trabalhar, pela segurança, pela precisão e pelo à vontade. É um veterinário que irradia confiança. E tenho o previlégio de ter um veterinário no qual acredito CEM POR CENTO

Para terminar, TENHO de falar numa veterinária que na "minha" clínica - Clínica Veterinária da Póvoa - com a sua dedicação aos meus gatinhos, conseguiu "segurar-me" no Norte. Nunca vi alguém tão jovem, mas tão competente, sempre tão atenta, alguém que conhecia os gatinhos pelos seus nomes e que integrou com tanto prazer no mundo da criação e das exposições, como eu "nos meus sonhos" gostaria de vir a encontrar no Norte. Refiro-me à Senhora Doutora Cláudia Abreu. Em pouco tempo conhecia a história clínica dos meus gatos desde o início, desde a minha AMOK.

Foram dois anos de cumplicidade. Sofreu com os meus maus momentos. Vibrou com as minhas alegrias. Adorou cuidar dos meus gatos e eles sentiam-se à vontade com ela, e retribuíam o carinho da Senhora Doutora, deixando-se tratar com toda a docilidade. Por tudo, obrigada Senhora Doutora Cláudia, minha grande amiga,

Agradeço agora a todos os criadores ingleses que, para além da sua ajuda, me deram a sua amizade, me receberam em suas casas e me apresentaram às suas famílias, tendo tido a oportunidade de com eles passar largos fins de semana, sendo o tema principal das nossas conversas - os gatos fumados e os cameos.

Conheci Roger e Sheenagh Sykes em 1985, numa exposição de gatos que se realizou no Olympia, em Londres. Eu e meu marido ficamos apaixonados pela pequena SNOWFIRE MELODY, criada e exposta por este casal. Todo o dia namoramos a bela gatinha, azul creme shaded cameo de tonalidade madre-pérola. Em vão! Os senhores estavam irredutíveis. Não era para vender. Mas conversamos muito e fomos convidados para a sua casa, em Bristol e com o tempo ficamos amigos. Entretanto, fui mais uma vez operada e passei os fins de semana com a Sheenagh e o marido.

Tive a chance de ver gatinhos cameos e fumados com alguns dias e três meses depois voltar a ver essa ninhada, tendo portanto a oportunidade de ver a sua evolução no que se refere a cores. Aprendi muito. Um juiz que não criou fumados ou cameos, não os pode avaliar bem. A descrição dos livros não chega. É preciso criá-los. E isso, eu aprendi com a Sheenagh Sykes.

Mais tarde tive o prazer de ter duas gatas SNOWFIRE, a PATCHWORK, campeã e a mãe do lindíssimo FAROUCHE DOLCE VITA, Grande Premior Internacional e muitas, mas muitas vezes Best in Show e mais tarde, o MELHOR PREMIOR do ano, e a PETROUCHKA, a TOUCHY, que fiz Grande Campeã Internacional. Quando andavam em exposições eram admiradas pelo seu magnífico pêlo - o vermelho vivo destas lindas tartarugas shaded cameo e, sobretudo, o branco glaciar do seu sub-pêlo. Por tudo, obrigada Sheenagh e Roger.

Por intermédio da Sheenagh, vim a conhecer um casal espantoso, o Tony e a Jean GilIson, criadores de cameos e juízes "experts" em cameos e fumados. Por motivos de saúde do Tony, pararam de criar e o seu belíssimo Campeão TOANJE ROMMEL, veio para a nossa casa. Era um espectacular gato vermelho shaded cameo, que foi muitas vezes "Melhor da Variedade" e igualmente "Best in Show".

Com ele comecei a minha primeira linha de cameos, a ROMMINA DOLCE VITA, a ROMMANY LASS DOLCE VITA - Campeã Internacional e Premior Internacional - muitas vezes nomeada também "Best in Show" nas duas categorias, e a ROMMANZA DOLCE VITA, Grande Campeã Internacional, igualmente nomeada e várias vezes “Best in show. Esta gata mereceu da juiz, Mrs. Bruin o seguinte comentário “Pensei que não voltaria a ver mais esta cor na Europa, um tão magnífico vermelho shaded cameo com uma tonalidade absolutamente perfeita".

Aos meus cameos, o ROMMEL transmitiu a linda cor de olhos, o fantástico e indescritível sub-pêlo e acima de tudo o seu maravilhoso temperamento.

Tive a enorme honra de comissariar para Jean , tendo o cuidado em fazer coincidir as minhas consultas com os fins de semana em que a ela tivesse exposições com uma grande percentagem de inscrições de fumados e cameos e, deste modo aprender muito. E com a Jean, aprendi TUDO. Foi espantosa comigo e a ela devo tudo o que sei sobre o mundo das exposições.

Conheci e convivi com os melhores juizes e daí a facilidade em ter trazido para tantos criadores portugueses, gatos que fizeram brilhantes carreiras nas exposições. E vieram brancos, fumados, colourpoints, cores sólidas, destacando os gatos FINCHFIELD para o “gatil Fare Niente” e os Birmaneses para José Tovim e Carla Cagido, e devo dizer que me deram muito trabalho e me causaram alguns amargos de boca, em Inglaterra (lembra-se Zé Tovim?), mas valeu a pena, eram tão lindos e traze-los deu-me tanto prazer… Uma palavra de agradecimento a Mrs. Anne Madden que neste processo, foi absolutamente incansável.

Pela força que tu, Jean, me transmitiste e, consequentemente, pela auto-confiança que se desenvolveu em mim, no que se refere a fumados e cameos, OBRIGADA, minha amiga.

E quase a terminar, gostaria de mencionar Antónia Williams - RADAMONOS. "MAHABBAH Antónia” e Carol Owen ¬ "ROCAWEN”.

Antónia deu-me o prazer de trazer a sua espampanante tartaruga shaded cameo, RADAMONOS VIRTUAL REALITY - que fiz Campeã da Europa. Confiou-me ainda, a sua espantosa RADAMONOS APPLAUSE, destinada ao meu amigo Nuno Macedo. Foi Grande Campeã Internacional e muitas vezes "Best in Show". Em Madrid, foi "Best in Show" concorrendo com 12 lindas gatas. Veio ainda a amorosa RADAMONOS DOLCE VITA, mais tarde Campeã nternacional.

Antónia Williams, quando acabou de criar, mostrou vontade em que os seus dois úlimos gatos viessem para nossa casa. O preto fumado ROCAWEN JOINT VENTURE, o nosso PADDY, Campeão Internacional mas, atenção, o Paddy era realmente um verdadeiro preto fumado e não cinzento fumado, como a maior parte das vezes se veêm nas exposições, e veio também a azul fumado ROCAWEN CAROLAN, a lindíssima ANNIE. Perdera o seu título de Campeã, mas reconquistou-o dada a sua beleza. Relembro Mrs. H. Sneum ao julgar as gatas azul fumado": "I like the three enchanting blue smoke females, but I stilI prefer the old lady (Annie)"

a Carol Owen , fizemos uma grande amizade. Por telefone compartilhamos os nossos bons momentos e por vezes as nossas desgraças. Confiou-me a ROCAWEN DOLCE VITA a tão especial RUCA e fi-la Campeã da Europa. À Carol confio os meus sonhos e desapontamentos, Obrigada, Carol, por te ter sempre "no outro lado da linha telefónica".

Para terminar uma referência ao veterinário inglês, Dr.David Roberts, com quem também muito aprendi. Estávamos em 1984. Cá, nada havia no tocante a medicamentos para animais. Ouso dizer que a minha gata AMOK terá sido a primeira gata a ser vacinada em Portugal.

Uma palavra, não, uma lembrança – Roy Robinson – um geneticista mundialmente conhecido. Recordo a paciência com que me ensinou, e a compreensão que dele recebi, autorizando a publicação dos artigos que me enviava.

POR TUDO ISTO FUI UMA CRIADORA COM MUITA SORTE, FUI UMA PRIVILEGIADA.

 
 
 
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GATIL DOLCE VITA - UM DOS 3 PRIMEIROS AFIXOS REGISTADOS EM PORTUGAL